Suscetibilidade Genética: Certos genes ou combinações deles podem aumentar o risco de indivíduos desenvolverem Diabetes Mellitus Tipo 2 (DMT2). O papel dos genes nesta doença, é sugerido por altas taxas de DMT2 em pessoas de uma mesma família e pela prevalência da doença em certos grupos étnicos.
Alguns genes estão envolvidos com a secreção de insulina pelas células-β, outros com resistência à insulina.
A Figura 1 mostra o funcionamento de uma célula-β e alguns genes ligados com o seu mau funcionamento. Polimorfismos do substrato receptor de insulina 1 (IRS-1) foram identificados e alguns variantes desse gene causam a diminuição de secreção de insulina. Outros polimorfismos foram encontrados nos genes SUR1 e KCNJ11 que alteram a formação de canais de potássio sensíveis a ATP. Também foram encontrados variantes do gene que codifica o transportador de glicose 2 (Glut2), que é expresso no pâncreas, rins e fígado e funciona como um sensor para manter a homeostase de glicose.
Figura 1
Defeitos no receptor de insulina (INSR) nas células do fígado, músculo e tecido adiposo fazem com que esse receptor não seja ativado, resultando na falha da regulação metabólica do hormônio. Esses defeitos são largamente diagnosticados em pacientes com DMT2, mas apenas 3%-4% apresentam mutação no gene INSR. Apesar disso, nos pacientes com o gene normal e mesmo assim baixa expressão da proteína INSR, é possível que haja mutações em outros genes que codificam fatores que regulam a expressão genética do INSR.
A Figura 2 mostra a falha no mecanismo de ação da insulina: o defeito no INSR do fígado impede a sinalização para que seja interrompida a gliconeogênese (produção de glicose), e no tecido adiposo e músculo o Glut4 (transportador de glicose para dentro da célula) não é acionado fazendo com que a glicose fique no sangue.
Figura 2
Outros genes também podem aumentar o risco de DMT2 porque aumentam o risco de obesidade. Estes possibilitam a grande estocagem de carboidratos e lipídios com o objetivo de usá-los para produzir energia em um período de fome, mas como na obesidade há o excesso de ingestão de alimentos combinado com o baixo gasto de energia (sedentarismo) o “estoque” só aumenta e não é utilizado.
Obesidade e Sedentarismo: Esses dois fatores ambientais estão associados à resistência à insulina.
Com a grande acumulação de triacilglicerol no tecido adiposo, esse órgão libera substâncias regulatórias como a leptina, que é um hormônio que contribui para o desenvolvimento de resistência à insulina. Outras substâncias liberadas pelo tecido adiposo são a resistina e a adiponectina, mas a leptina é mais importante porque indivíduos obesos desenvolvem resistência à este hormônio, fazendo com sua concentração aumente e aumentando assim a resistência à insulina. Além disso os ácidos graxos livres (NEFAs) liberados no sangue pelo tecido adiposo também aumentam as chances de se desenvolver essa condição.
A resistência à insulina pode ser ser controlada com o organismo produzindo níveis mais altos que o normal de insulina para suprir a deficiência, mas em pessoas obesas com resistência à leptina esses níveis não são suficientes para inibir a doença.
A prática de exercícios físicos é importante pra que o corpo use os triglicerídios do tecido adiposo para suprir o gasto de energia, impedindo assim a acumulação dessas moléculas e a grande liberação das substâncias que causam a Resistência à insulina.
A Diabetes Mellitus Tipo 2 é mais frequente em indivíduos com as seguintes características:
- 45 anos de idade ou mais;
- Obeso ou acima do peso;
- Tem algum parente com DMT2;
- Sedentário;
- Alta pressão sanguínea;
- Histórico de Diabetes Gestacional.
Essas pessoas são incapazes de compensar com aumento de excreção de insulina a resistência a esse hormônio e acabam desenvolvendo hiperglcemia (alta concentração de açúcar no sangue), que leva à perda da função das células-β.
João Pedro de Souza
Referências
1 - Causes of Diabetes. Disponível em <http://www.diabetes.niddk.nih.gov/dm/pubs/causes/index.aspx>. Acesso em: 15 maio 2014
2 - Brunetti, Antonio et al. Recent Advances in the Molecular Genetics of Type 2 Diabete Mellitus. World J Diabetes. Apr 15, 2014; 5(2): 128–140. Published online Apr 15, 2014. doi: 10.4239/wjd.v5.i2.128. Disponível em: <http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3990314/>. Acesso em: 15 maio 2014
3 - Champe, Pamela C; Harvey, Richard A; Ferrier, Denise R.. Lippincott’s Illustrated Reviews: Biochemistry. 4ª edição. Philadelphia; Baltimore: Lippincott Williams & Wilkins, 2008.
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