A diabetes é uma doença caracterizada pelo alto nível de glicose no sangue, que pode ser uma consequência de resistência à insulina, destruição autoimune das células-beta do pâncreas ou a combinação desses dois fatores (ver posts sobre fatores de riscos e causas das diabetes tipo 1 e 2).
A alimentação é muito importante no tratamento dessa doença, pois dependendo dos alimentos que comemos, o quadro de diabetes pode ser revertido. E no caso de uma pessoa com pré diabetes, ela pode evitar de se tornar diabético apenas alterando a composição nutricional de suas refeições.
Os carboidratos são os grandes vilões da diabetes. Ao ingerir alimentos ricos nessas moléculas o corpo libera o hormônio insulina, cujo mecanismo age desfosforilando as enzimas da via de degradação de lipídios e assim tonando a lipólise e beta-oxidação menos ativas. Também como consequência do seu mecanismo de ação, a insulina estimula a via de síntese de triglicerídeos (lipogênese), o que gera o aumento de gordura visceral (aquela contida no tecido adiposo). O acúmulo dessa gordura leva a um conjunto de distúrbios conhecidos como síndrome metabólica, que leva à resistência à insulina. Com a resistência à insulina a glicose no sangue aumenta cada vez mais, e por sua vez, o aumento de glicose aumenta a resistência à insulina formando um círculo vicioso.
A glicose é altamente tóxica no sangue, e essa toxicidade ataca as células-beta do pâncreas (células produtoras de insulina), então podemos concluir que a hiperglicemia também é responsável pelo mau-funcionamento dessas células.
Seguindo esse raciocínio fica óbvio que a melhor dieta para um diabético é uma dieta livre de carboidratos. O melhor exemplo é a Dieta Low-Carb e Paleolítica, que consiste em uma alimentação rica em gordura e livre de grãos, açúcar, lactíneos, e alimentos processados. O nome da dieta se refere ao período anterior à agricultura, quando não havia fontes de carboidratos.
Na Dieta low-carb/páleo os alimentos consumidos são: carnes, peixe, ovos (fontes de proteína), vegetais (exceto raízes, por serem ricas em carboidratos) e gorduras naturais (coco, azeite de oliva, manteiga). Podem ser consumidas frutas, mas apenas as que não contém muita frutose, como as frutas vermelhas. Lactínios também são abolidos poque a lactose é um carboidrato, mas os derivados fermentados podem ser consumidos (iogurte natural, queijo, coalhada, manteiga) pois no processo de fermentação a lactose é consumida por bactérias.

Agora vamos aos benefícios metabólicos da dieta: a não-ingestão de carboidratos faz com que a insulina não seja requerida, então seu nível continua baixo. Em decorrência, as enzimas da lipólise e beta-oxidação permanecem fosforiladas e portanto ativas, forçando o organismo a obter energia através da queima de gordura. Com o nível baixo de insulina a lipogênese também não vai ser estimulada, impedindo o aumento de gordura no tecido adiposo. A queima de gordura leva então à diminuição de massa gorda e consequentemente dos fatores que causam a síndrome metabólica. Assim a resistência à insulina pode ser evitada ou revertida.
Outra característica importante da dieta low-carb é a diminuição da fome, por meio de hormônios como o peptídeo Y. Isso ajuda ainda mais no estímulo da queima de gorduras, fazendo com que o organismo consuma até 500 calorias de gordura corporal por dia.
Durante anos a gordura foi tida como a vilã das doenças ocasionadas pela síndrome metabólica. Mas recentemente a revista Time publicou uma edição (em junho de 2014) que desmente a crença de que os lipídios são o que há de mais errado na alimentação ocidental.
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João Pedro de Souza
Referencial Bibliográfico:
Blog Dieta Low-Carb e Paleolítca. Dr. José Carlos Souto
<http://lowcarb-paleo.blogspot.com.br/>